Prazos e Prazos

| sexta-feira, 26 de novembro de 2010 | 0 comentários |

O blog recebeu um desafio do além, a cada semana teremos que colocar aqui neste blog uma definição diferente de PRAZO PRECAUCIONAL.Então vamos a conceituação básica:
PRAZO DE PRECAUÇÃO
"Intervalo de tempo durante o qual o poder público, a empresa ou qualquer interessado guarda o documento por precaução, antes de eliminá-lo ou encaminhá-lo para guarda definitiva no Arquivo Permanente."
BERNARDES, Ieda Pimenta. Como Avaliar Documentos de Arquivo. São Paulo: Arquivo do Estado, 1998. p 24.

"o prazo precaucional, o qual é estabelecido para responder as eventuais reclamações administrativas ou jurídicas sobre aspectos referidos ao texto, a falhas na tramitação ou há erros no cumprimento da vigência e, também, para servir de sustendo jurídico a outro documento que necessita para estar vigente"
ALMEIDA, Rafaela Augusta de; RODRIGUES, Ana Célia. IDENTIFICAÇÃO DE TIPOLOGIAS DOCUMENTAIS COMO PARÂMETRO PARA AVALIAÇÃO DE DOCUMENTOS CONTÁBEIS. San Thiago: VII Congresso de Archivología del Mercossur, 2008. Disponível em: <http://www.asocarchi.cl/DOCS/107.pdf>.
"necessidade de guarda do documento por precaução, em virtude de práticas administrativas;"
CONSELHO DE JUSTIÇA FEDERAL. Programa de Gestão Documental Manual de Procedimentos. Brasília: Conselho de Justiça Federal, 2001. Disponível em: <http://columbo2.cjf.jus.br/portal/gestaodocumental/documentos/MANUAL%20DE%20PROCEDIMENTOS.pdf>.

Volver

| domingo, 21 de novembro de 2010 | 4 comentários |
Não sei se já declarei para vocês, AMO Pedro Almodóvar, em outro post já havia comentado sobre um filme dele intitulado Fale com ela.

Agora quero falar sobre uma de suas obras primas o filme Volver, 2006.
Volver para mim foi o melhor de todos os filmes de Pedro Almodóvar, gosto de quase todos (os que vi) mas este me marcou mesmo. Assistindo esse filme eu chorei, ri, me identifiquei por inteiro.

Bem não vou mais ficar falando da minha experiência com o filme, vou falar mesmo é da morte e suas relações com o filme.


Com uma ambientação de cidadezinha do interior o filme conta a história de uma mãe chamada Raimunda (Penélope Cruz) que tenta proteger sua filha do homicídio praticado pela menina contra o seu suposto pai. Para tanto a mãe esconde o corpo do marido dentro do freezer de um bar em que está cuidando. Enquanto isso a irmã de Raimunda, Sole, é atormentada pelo fantasma de sua mãe interpretada por Carmem Maura.

Como vocês podem ver o filme é ambientado por mortes e mistérios relacionados às mortes. Contudo o filme não fica, "nossa que mistério", tem mais um tom de tragédia e muitas vezes comédia. Uma coisa muito legal de se comentar é a exposição de momentos fúnebres espanhóis colocados pelo diretor. Chega a ser engraçado as cenas funerárias do filme. Como na cena que está aí em baixo que a personagem Sole é cumprimentada por toda a aldeia com beijos e abraços bem calorosos e violentos.

Uns meses atrás fui a um funeral e percebi que aqui no Brasil não é tão diferente, parece que as pessoas ficam disputando para ver quem abraça o parente do falecido. Achei uma experiência muito interessante.

Bem gente, assistam o filme. Ele é um dos melhores filmes que já vi na vida, com certeza todos irão gostar dessa tragicomédia.

Deixamos aqui um desafio para o blog CineArq para que eles conheçam o filme e comentem em seu blog sobre a autenticidade da morte da mãe de Raimunda. Espero que o grupo poste até o dia 10 de dezembro , pois os cinéfilos estão muito ansiosos para o desvendar deste caso.




Estou triste pois não consegui achar um trailer legendado em português!


Ps.: Descansem em Paz!

Desafio parte 1

| sexta-feira, 19 de novembro de 2010 | 0 comentários |


Desafio da semana consiste em analisar documentos que apareceram no documentário "Memória para uso Diário". Galera esse filme é fantástico, me emocionei do inicio ao fim do documentário. Esse filme foi exibido na Semana do arquivista da UnB, ocorreram certos problemas na exibição dele, mas foi muito proveitoso assisti-lo. Vou deixar no fim do post o trailer, então se vocês se interessarem o assistam pois vale a pena.

Voltando ao desafio, nós tivemos que escolher três documentos que apareceram no filme e fazer análise diplomática e tipológica desses documentos verificando se a mudança de titularidade desses documentos modificaria a função arquivística do documento.


Análise diplomática

Nome: Fotografias dos desaparecidos
Gênero: imagético
Forma: original
Formato: 15 x 21
Suporte: papel




Nome: Ossada

Gênero: tridimensional
Forma: original
Formato: humano
Suporte: mineral concentrado



Nome: Conta de luz

Gênero: textual e imagético
Forma: original
Formato: folha avulsa
Suporte: papel






Análise Tipológica

Fotografia dos desaparecidos

Entidade produtora: família do desaparecido
Descrição: documento imagético pertencente ao arquivo das famílias dos desaparecidos políticos.
Função arquivística: No arquivo da família, antes do desaparecimento, a foto tem a função de recordação. Após o desaparecimento ela é utilizada pra tentar localizar ou reconhecer a pessoa desaparecida.Caso essa fotografia vá para a o arquivo da polícia ela integrará um dossiê que será utilizado para análise criminal.

Ossada

Entidade produtora: a pessoa desaparecida.
Descrição: documento tridimensional encontrado em cemitério clandestino.
Função arquivística: a ossada possui função de identificação de desaparecidos.

Conta de luz

Entidade produtora: morador cujo nome da rua é o nome de um dos desaparecidos políticos.
Função arquivística: para o morador é a comprovação de uma despesa. Para a família do desaparecido e para o resto da sociedade é uma forma de provar que o Estado se redimiu.
Descrição: Documento textual e imagético pertencente ao arquivo do morador.




Desafio parte 2

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A outra parte do desafio era contextualizar os mesmos documentos ao tema do blog. Por isso fizemos uma história que conta a saga de uma senhora em busca de seu filho em cemitério clandestino em São Paulo.

Memória de mãe


Velha, setenta e nove anos, reumatismo e uma memória. Dona Claudia, mãe de um único amor, seu filho Rodolfo desaparecido politico desde o ano de 1972. A última lembrança de seu filho foi a roupa que ele saíra de casa, pois ela o vira de costas e não conseguira ver seu rosto.

Ano passado ao assistir o jornal da noite viu uma reportagem falando de um cemitério clandestino em São Paulo. Ao removerem as ossadas viu aquela camiseta, a mesma que seu filho tinha saído de casa. Seu coração não aguentou, tinha certeza que aquele era seu filho. Porém havia um grande impasse, pois no ano do desaparecimento eles moravam em Goiânia, como o corpo de seu filho havia parado em São Paulo.

Dona Claudia pegou o primeiro avião para aquela cidade que foi o ultimo abrigo de seu filho. Durante a viagem chorou como se revivesse cada momento destes anos sem ele, lembrou momentos de desespero em que com uma fotografia na mão saia nas ruas e perguntava por seu filho: - alguém o viu? você sabe alguma coisa sobre ele? – eram suas perguntas. Lembrou as noites em claro que passava rezando, clamando por respostas divinas. Agora restava a única certeza - seu filho morreu.

A velha memoriosa foi ao MPF de São Paulo, contou sua história ao promotor e esse disse que a ajudaria e que era comum que presos  políticos fossem mandados para outro estado. No outro dia a senhora colheu sangue e entregou documentos do filho, entre eles a fotografia que guardou de recordação e como tentativa de achar o desaparecido. Os peritos fizeram o laudo e compararam o DNA dos dois, mais tarde a resposta para a certeza dessa mãe é confirmada: a ossada pertence a Rodolfo Guedes de Oliveira.

A pedidos da mãe deixaram-na sozinha com os restos do filho em uma sala do ministério público. Dona Claudia chora copiosamente pela certeza que poderá enterrar seu único e grande amor. Olhando para um canto da sala relembra os primeiros passos do filho, lembra quando ele passou no vestibular para medicina, lembra suas aspirações politicas, lembra seu amor e esperança por um Brasil mais livre.
Leva os restos mortais de seu filho para Goiânia, nessa cidade o enterra. Em sua lápide escreve os dizeres: Morri pelo bom e por aquilo que era bom.

A dois meses atrás, a rua de Dona Claudia ganhou o nome de seu filho. Um mês depois ao chegar a conta de luz a memoriosa senhora vê o nome do filho batizando sua rua, senta-se no sofá, reflete e vai para cama reviver no seu último sonho todo aquele amor que sente por Rodolfo.

Em memória de meu avô morto em 67 em situações estranhas no Hospital de Base e também ao meu falecido amigo Salomão que perdeu seu emprego nos correios e foi prezo pelo DOPS em 79 por possuir ideais libertários.


Analise tipológica dos documento destacados em negrito

Fotografia de Rodolfo

Entidade produtora: família de Dona Claudia
Descrição: documento imagético pertencente ao arquivo da família de Dona Claudia.
Função arquivística: No arquivo da família, antes do desaparecimento, a foto tem a função de recordação. Após o desaparecimento ela é utilizada pra tentar localizar ou reconhecer Rodolfo.

Ossada

Entidade produtora: Rodolfo Guedes de Oliveira
Descrição: documento tridimensional encontrado em cemitério clandestino.
Função arquivística: a ossada possui função de identificação do corpo de Rodolfo.


Conta de luz

Entidade produtora: Dona Claudia  
Função arquivística: Para Dona Claudia é o reconhecimento que seu filho foi um herói que lutou pela democracia no Brasil.
Descrição: Documento textual e imagético pertencente ao arquivo de Dona Claudia.